Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

Os mercados aguardam nesta quarta-feira (5) a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve anunciar a redução da taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 4,25% ao ano.

Na Ásia as bolsas de valores fecharam em alta e os futuros de Nova York avançam apontando para uma abertura em terreno positivo. A General Motors deve divulgar hoje na NYSE seus resultados trimestrais. Na política, o Senado dos EUA pode votar hoje o fim do processo de impeachment contra o presidente Donald Trump.

No discurso “Estado da Nação” de ontem à noite, Trump afirmou que Washington trabalha junto com Beijing monitorando o surto do coronavírus na China. No noticiário corporativo, destaque para o anúncio da venda das operações da Petrobras no Uruguai e para a conclusão da emissão de debêntures da Oi.

1. Bolsas mundiais

Os futuros de Nova York estão em terreno positivo na manhã de hoje, após as bolsas de valores da Ásia terem fechado em alta. Empresas como a Ford e a Disney, que divulgaram ontem resultados, alertam para os efeitos do coronavírus na China sobre o fechamento temporário de fábricas e parques, que poderão ter impacto sobre as operações das companhias, informa a CNBC. Os mercados europeus abriram e operam em alta.

Apesar do alívio nos mercados chegar ao terceiro dia, os números de vítimas do vírus seguem avançando; mortos pelo surto de coronavírus sobem para 500, enquanto os casos confirmados em todo o mundo se aproximaram de 25 mil. Milhares foram colocados em quarentena em navios de cruzeiro no Japão e Hong Kong. Apesar dos temores globais, o vírus ainda está concentrado principalmente em Hubei.

No mercado de commodities, o petróleo retoma alta e recupera patamar de US$ 50, perdido ontem, em meio à resistência da Rússia em aceitar a proposta da Arábia Saudita de corte de produção; já os metais avançam em Londres e mineradoras lideram altas das ações na Europa.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h13 (horário de Brasília):

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,86%
*Nasdaq Futuro (EUA), +1,14%
*Dow Jones Futuro (EUA), +1,04%

*Dax (Alemanha) , +1,37%
*FTSE (Reino Unido), +0,77%
*CAC 40 (França), +1,04%
*FTSE MIB (Itália), +0,96%

*Nikkei (Japão), +1,02% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +0,36% (fechado)
*Hang Seng (Hong Kong), +0,42% (fechado)
*Xangai (China), +1,25% (fechado)

*Petróleo WTI, +2%, a US$ 50,60 o barril
*Petróleo Brent, +2,08%, a US$ 55,08 o barril

**A Bolsa de Dalian fechou em queda. Em 05 de fevereiro, contratos futuros do minério de ferro negociados em Dalian fecharam com queda de 1,53%, cotados a 578.000 iuanes, equivalentes a US$ 82,71 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 6,9880 (+0,06%)
*Bitcoin, US$ 9.223,71, +0,61%

2. Indicadores econômicos

No Brasil, poucos indicadores em dia de Copom. O Comitê deverá realizar mais um corte na Selic e deixar a taxa em 4,25% na primeira reunião do ano, de acordo com consenso dos economistas, que esperam um comunicado mais cauteloso, mas divergem sobre o tom, com alguns esperando que BC mantenha a porta ao menos semiaberta para novo corte em março e outros esperando fim do ciclo

A FGV deve divulgar às 8h o IPC-C1, enquanto a Markit divulga às 10h o índice de compras do setor de serviços em janeiro. Na União Europeia, o Eurostat publicará às 7h as vendas do varejo em dezembro.

Nos Estados Unidos, o governo divulgará a balança comercial de dezembro às 10h30.

3.Discurso de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, em seu terceiro discurso sobre o Estado da União e o último do primeiro mandato, que “anos de decadência econômica terminaram”. “Os dias daqueles que usavam o nosso país, aproveitavam-se dele, estando até desacreditado junto de outras nações, ficaram para trás”, declarou Trump, na terça-feira, em discurso cheio de críticas à administração de Barack Obama (2009-2017), que não mencionou, e que deixou entusiasmados republicanos, mas não democratas. Ao final do discurso do Estado da União, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, rasgou uma cópia do discurso do presidente.

Para Trump, se “as políticas econômicas falidas do governo anterior” não tivessem sido revertidas, “o mundo agora não estava a ver esse grande êxito econômico”, com criação de emprego, queda de impostos e luta “por acordos comerciais justos e recíprocos”. “A nossa agenda é implacavelmente pró-trabalhadores, pró-família, pró-crescimento e, sobretudo, pró-Estados Unidos”, destacou o chefe de Estado norte-americano, acrescentando que, há três anos, iniciou “o grande regresso” do país.

“Inacreditavelmente, a taxa média de desemprego durante o meu governo é menor do que durante qualquer outra administração na história do nosso país”, afirmou Trump. Sobre o comércio, um dos pilares da atual administração, o presidente dos Estados Unidos afirmou ter prometido aos cidadãos norte-americanos que ia impor taxas alfandegárias à China para resolver o roubo maciço de empregos. “Nossa estratégia funcionou”.

Depois de quase 18 meses de “guerra” comercial, Trump assinou em dezembro uma trégua parcial com Pequim.

4. Política

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal investiga se o secretário de Comunicação da presidência da República, Fabio Wajngarten, praticou corrupção passiva e peculato no cargo. Ele é sócio de empresa que tem contratos com emissoras de TV que recebem verbas publicitárias da Secom, informa o jornal O Globo.

Ainda em destaque, o governo deve criar hoje Conselho da Amazônia, sob comando de Mourão. Segundo o jornal, o setor produtivo não esconde apreensão com o impacto das queimadas sobre a imagem do país.

Sobre a questão do coronavírus, os brasileiros que serão resgatados na China deverão chegar ao Brasil já neste sábado (8) e ficarão em quarentena na base aérea de Anápolis (GO). Deverão embarcar 29 pessoas, incluindo quatro parentes chineses dos brasileiros, que também poderão vir ao Brasil.  O anúncio foi feito pelos ministros da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em entrevista no Palácio do Planalto.

5. Noticiário corporativo 

A Petrobras (PETR3 e PETR4) iniciou a venda de todos os seus ativos no Uruguai, como parte do seu plano de desinvestimento. A empresa mandará carta-convite aos interessados em adquirir seus ativos no país vizinho, que incluem a subsidiária Petrobras Uruguay Distribución S.A. (PUDSA), uma rede de 90 postos de combustíveis. Vale destacar a fixação de preço por ação ON da Petrobras em oferta do BNDES. Ainda em destaque, está a estreia das ações da Mitre após oferta pública inicial.

Já a operadora de telefonia Oi (OIBR4) informou na noite de ontem que concluiu a subscrição e integralização da sua emissão de debêntures simples, operação anunciada em 23 de dezembro do ano passado e avaliada em R$ 2,5 bilhões.

Já o Bradesco (BBDC4) teve lucro líquido recorrente de R$ 6,645 bilhões no quarto trimestre do ano passado, cifra 14% maior que a registrada em igual intervalo de 2018, de R$ 5,830 bilhões. Em relação aos três meses anteriores, de R$ 6,542 bilhões, foi registrado incremento de 1,6%. Veja mais aqui. 

(Com Bloomberg e agências internacionais)

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