Inflação medida pelo IPCA sobe 0,21% em janeiro, menor resultado para o mês desde o início do Plano Real

SÃO PAULO – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro subiu 0,21% na comparação mensal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (7). Este foi o menor resultado para um mês de janeiro desde o início do Plano Real, em 1994.

A expectativa mediana dos economistas compilada no consenso Bloomberg era de um avanço para 0,35% em janeiro na comparação mensal, depois de ter ficado em 1,15% na medição anterior.

Na comparação anual, a expectativa do consenso Bloomberg era de uma alta de 4,34% ante 4,31% na pesquisa anterior. O resultado ficou em 4,19%.

O maior impacto no índice do mês, 0,08 ponto percentual (p.p.), veio do grupo Habitação, que também registrou a maior variação (0,55%) entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados.

Outros cinco grupos também apresentaram alta, com destaque para Alimentação e bebidas (0,39% de variação e 0,07 p.p. de impacto) e Transportes (0,32% de variação e 0,06 p.p. de impacto). No lado das quedas, a contribuição negativa mais intensa (-0,04 p.p.) veio de Saúde e cuidados pessoais (-0,32%). Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,48% em vestuário e a alta de 0,35% em despesas pessoais.

A desaceleração no grupo alimentação e bebidas (de 3,38% em dezembro para 0,39% em janeiro) deveu-se, principalmente, ao comportamento dos preços das carnes, informou o IBGE em nota. Após a alta de 18,06% em dezembro, as carnes recuaram 4,03% em janeiro, contribuindo com o impacto negativo mais intenso sobre o índice do mês (-0,11 p.p.). Com isso, o grupamento da alimentação no domicílio registrou alta de 0,20%, frente aos 4,69% do IPCA de dezembro. No lado das altas, o destaque ficou com o tomate (13,72%) – cujos preços já haviam subido 21,69% no mês anterior – e com a batata-inglesa (11,02%).

No grupo Saúde e cuidados pessoais (-0,32%), houve deflação em janeiro, principalmente por conta dos itens de higiene pessoal (-2,07%). Os produtos para pele, que haviam subido 5,14% em dezembro, recuaram 6,51% em janeiro, contribuindo com -0,03 p.p. no índice do mês. Além disso, os preços dos perfumes (-4,66%) também caíram, contribuindo com -0,05 p.p. No lado das altas, os destaques foram o plano de saúde (0,60%) e os produtos farmacêuticos (0,33%), com impactos de 0,02 p.p. e 0,01 p.p. respectivamente.

Mudanças na metodologia

O IPCA divulgado hoje é o primeiro calculado com base na nova estrutura de ponderação que resultou das alterações de hábitos dos consumidores apontadas na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017/2018 e provocou a retirada de alguns itens e a incorporação de outros. A última alteração, feita na POF de 2008/2009, incluía mais seis subitens que foram retirados na atual.

Entre os 56 novos subitens componentes da cesta e que entraram no cálculo do IPCA está o transporte por aplicativo, a integração transporte público, serviços de streaming e o pacote de telefonia, internet e TV por assinatura. Para entrar na lista são avaliadas as respostas dos consumidores ao responder a pesquisa e se o artigo ou serviço tiver mais de 0,07% das despesas das famílias é incluído na lista de ponderação.

Além de aparelhos de DVD, saíram da lista assinatura de jornal, máquina fotográfica, revelação e cópia, fotografia e filmagem. Na visão de Pedro Kislanov essas alterações no comportamento dos consumidores reforçam a necessidade de manter certa periodicidade de atualização entre uma POF e outra. Por questão de falta de recursos do IBGE, o intervalo entre as duas últimas pesquisas acabou ultrapassando o período de cinco anos que vinha sendo mantido. Embora ainda não haja previsão para a realização da próxima POF, se for seguir o período de cinco anos, deveria ser feita em 2022/2023. Mas segundo o gerente, o instituto já avalia a possibilidade de atualiza a cesta por outro tipo de análise de dados.

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(Com Agência Brasil)

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