Dólar pode subir para R$ 4,30 no curto prazo com dados da economia e reflexo do coronavírus, aponta Credit Suisse

SÃO PAULO – Recentemente o dólar renovou sua máxima histórica nominal contra o real, em R$ 4,28, mas apesar de ter recuado um pouco, no curto prazo é provável que a moeda americana chegue na marca dos R$ 4,30.

Isso segundo uma projeção feita pelo Credit Suisse em relatório divulgado nesta quarta-feira (5), que apontou ainda que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) desta noite será bastante importante para definir o futuro do câmbio.

Para os analistas, o Banco Central deve cortar mais uma vez a Selic em 0,25 ponto percentual, para 4,25%. “Desde o começo do ano, o mercado elevou as expectativas de reversão no ciclo de flexibilização de juros: isso em parte reflete riscos crescentes às expectativas de crescimento criadas pelo surgimento do coronavírus, mas está longe de ser o principal fator da mudança”, afirmam.

Segundo o Credit, o movimento de alta do dólar contra o real já era visível antes do surgimento do vírus na China, e isso é reflexo da piora nas projeções para a inflação em meio a dados desapontadores sobre o crescimento da economia, como o recente número da produção da indústria de dezembro de 2019, que mostrou queda de 1,2% na comparação com dezembro de 2018. No ano, a indústria teve queda de 1,1% após duas altas seguidas.

Com isso, piorou o sentimento do mercado em relação ao que se via um mês atrás, com maiores projeções de números decepcionantes para a economia, o que também reduziu a visão dos investidores de que o BC pode elevar os juros no segundo semestre.

“Isso significa que o real está mais vulnerável a um comunicado dovish (brando, que indique mais queda de juros) do Copom nesta noite e que a nossa meta de R$ 4,30 ainda parece apropriada”, avaliam.

Sobre o efeito do coronavírus, o Credit avalia que a possibilidade de que o assunto comece a perder força leve a uma recuperação do dólar no mundo todo.

Com esse movimento generalizado, os analistas apontam que o BC pode ficar menos disposto a intervir no câmbio, o que vai contra a visão do mercado, que segundo eles estão extremamente confiantes de que a autoridade monetária agiria em caso de um rali do dólar.

“O fato de o BC não ter intervindo ainda este ano, apesar da contínua fraqueza do real, é certamente uma razão para ser cauteloso”, afirmam.

Mas o Brasil é uma das exceções para os analistas em mercado emergentes. Dentro deste grupo, o banco destaca o peso mexicano como sua moeda favorita.

No relatório, os analistas apontam uma série de fatores que favorecem a divisa latina, como a falta de notícias políticas negativas, o bom momento para o carry trade (operação para ganhar com o diferencial de juros dos países desenvolvidos e emergentes) e a menor exposição do México a uma queda na demanda chinesa.

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