Depois da venda bilionária pelo BNDES, as ações da Petrobras vão finalmente destravar na Bolsa?

SÃO PAULO – Nesta semana, aconteceu a maior oferta de ações do Brasil na última década, com a venda pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de 9,8% das ações ordinárias (com direito a voto) da Petrobras (PETR3), correspondentes a 6,7% do capital total.

Foram vendidas 734,2 milhões ações a R$ 30, fazendo com que o BNDES colocasse em seu caixa cerca de R$ 22 bilhões. Mas, além da magnitude da operação em si, os investidores estavam ansiosos com a conclusão dessa venda, uma vez que tamanha entrada de papéis da companhia no mercado estava contribuindo para a baixa das ações.

Vale ressaltar que, até a sessão da última quarta-feira, os papéis PETR3 registravam queda de 4,75%, enquanto os ativos ON tinham baixa de 5,93%, a despeito das diversas recomendações positivas para os ativos. De acordo com a compilação feita pela Bloomberg com 12 casas de análise, 11 (ou 91,7%) delas recomendam compra para os papéis PETR4, enquanto apenas uma recomenda manutenção; já para a ação ON, com menos cobertura do mercado, das 6 casas que analisam o papel, 5 recomendam compra e apenas 1 recomenda manutenção.

É verdade que parte do desempenho está atrelada também à queda do petróleo no ano, com uma forte baixa ultimamente por conta da crise do coronavírus e as preocupações sobre a demanda, que fizeram com que o brent tivesse baixa de 20% no acumulado do ano. Porém, vale destacar que, enquanto o contrato futuro da commodity registrava baixa de cerca de 0,7% durante a tarde desta quinta-feira, os ativos da Petrobras registravam ganhos de até 5%.

Conforme aponta a Levante Ideias de Investimento, os efeitos da diminuição da participação das instituições públicas na companhia são positivos para o contexto econômico brasileiro. Neste ano, a expectativa do governo federal é de levantar até R$ 150 bilhões com a venda de ativos estatais, que já foram centro de programas nos governos anteriores para impulsionar a economia.

Notoriamente sobre as ações da petroleira, os analistas lembram que, “nos últimos meses, elas ficaram pressionadas por conta do tamanho da oferta, o que comprometeu a valorização de seus papéis no curto prazo”. Agora, eles esperam um destravamento das ações – tanto ON quanto PN – por dois motivos: o múltiplo medido pela relação entre o EV (enterprise value, ou valor de mercado + dívida líquida) sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) histórico descontado e abaixo dos pares globais, além do descolamento do Ibovespa e suas ações nos últimos meses.

Além disso, os papéis ON foram precificados a R$ 30, um desconto de apenas 1,57% frente o fechamento de quinta, a despeito do cenário de queda para os preços do petróleo. Assim, a avaliação de analistas é de que o desconto foi pequeno, principalmente pelo tamanho da oferta. Assim, a não ser que os preços do petróleo sigam em queda forte, há espaço para os ativos subirem.

Em relatório do final de janeiro, os analistas do Itaú BBA destacaram sete pontos principais para ficar de olho em 2020, mantendo recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para os ativos PETR4, elevando o preço-alvo de R$ 38 (US$ 18 para o ADR, ações da estatal negociadas nos EUA) para R$ 40 (ou US$ 19 por ADR). Dentre eles, estão as mudanças no mix de produção, o plano de desinvestimentos de oito refinarias do Brasil, fora as vendas de outros ativos (veja mais clicando aqui).

Porém, vale destacar um outro ponto que ainda mantém a Petrobras ainda um pouco fora do radar dos investidores, principalmente os estrangeiros, conforme ressaltou em relatório recente o Bradesco BBI.

Os analistas do banco apontaram conversas com fundos internacionais e locais e tiveram a percepção que os estrangeiros ainda se mantêm fora da estatal por preferirem empresas de petróleo de países emergentes que pagam mais dividendos, em detrimento do crescimento.

Segundo eles, em viagens ao exterior, foi possível observar que os investidores emergentes ou latino-americanos estão preferindo comprar empresas como a colombiana Ecopetrol ou as russas Lukoil e Rosneft em vez da Petrobras dados os dividend yields (indicador que mostra a relação entre o dividendo pago por ação e a cotação do papel) mais atrativos, hoje entre 6% e 8%.

Por outro lado, os analistas acreditam que o dividend yield da Petrobras deve disparar nos próximos dois a três anos. Mesmo com a venda de US$ 20 bilhões em ativos e o acordo da cessão onerosa (que requer mais investimentos), eles enxergam fluxo de caixa livre da estatal, com o barril do petróleo brent em US$ 65, entre US$ 10 e US$ 12 bilhões. “Isso significa que a Petrobras pode pagar US$ 7 a US$ 9 bilhões em dividendos adicionais”, afirmam. Hoje a estatal paga cerca de US$ 3 bilhões.

Atualmente, a Petrobras não aumenta o pagamento de dividendos para priorizar sua desalavancagem. Porém, o relatório de janeiro apontou que a contínua geração de caixa e venda de ativos ajudará a companhia a aumentar a remuneração significativamente até 2022.

Desta forma, os investidores comemoram a venda dos ativos pelo BNDES e, agora, acompanham o desenvolvimento da venda de ativos e as perspectivas de remuneração de dividendos para que o valor da companhia na bolsa destrave mais.

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