Como a Copa do Mundo e as Olimpíadas impactam as vendas de TVs no Brasil

SÃO PAULO – No Brasil, 97% das pessoas nas 15 principais regiões metropolitanas possuem TV em casa, de acordo com Target Group Index, estudo da Kantar Ibope Media que acompanha os hábitos e comportamentos dos consumidores. Ainda, a produção de TVs aumentou 6% em 2019, para 12,7 milhões, na comparação com o ano anterior, segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).

“O resultado do ano passado foi surpreendente, considerando que foi ano posterior ao de Copa do Mundo, quando historicamente temos uma baixa ou estabilização na produção”, explica Jorge Nascimento, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). Para ele, os números refletem o início da recuperação econômica.

A Eletros conta com grandes empresas do setor como AOC, Samsung, LG, Panasonic, Philips, Sony, entre outras. Por mais que smartphones vêm ganhando cada vez mais força, a TV continua com seu espaço garantido nas casas dos brasileiros.

Entre os fatores que impactam na produção e venda de televisores está a sazonalidade de alguns eventos, como a Copa do Mundo, e, em menor escala, as Olimpíadas.

Erico Traldi, Diretor de produto das áreas de TV e Áudio e Vídeo da Samsung Brasil, afirma que é notório o salto em vendas e faturamento, principalmente, em ano de copa.

Em termos de faturamento, o mercado de televisores como um todo cresceu 23% em 2018 (ano de Copa) na comparação com 2017, enquanto a produção no mesmo período subiu 6%, considerando dados da Eletro. O executivo garantiu que a Samsung também apresentou resultados positivos, embora não tenha informado os números daquele ano.

“O Brasil é o país do futebol e as pessoas buscam televisões novas para assistir à competição. Historicamente, o ciclo de troca de TVs do brasileiro gira em torno quatro ou cinco anos, coincidindo justamente com épocas de Copa”, explica Traldi.

Considerando apenas as Olimpíadas, o executivo afirma que os números são bem menos expressivos em termos de resultados, mas que a Samsung acompanha a movimentação do mercado. Inclusive, a empresa fará um lançamento de uma linha Premium QLED que terá no portfólio opções com resolução 8K no segundo trimestre, pouco antes do evento esportivo, que acontece em Tóquio em julho deste ano.

“O ano de Olimpíada é uma oportunidade para lembrar o consumidor de trocar a TV seja um modelo mais avançado ou por uma tela maior, por exemplo. É difícil isolar resultados devido a este fator, mas estamos atentos ao momento”, diz. 

Segundo ele, as TVs de telas grandes (maiores que 65 polegadas) estão ganhando cada vez mais espaço. “Esse segmento representou 9% do faturamento do mercado de TVs em 2019. Para a Samsung, representou 13%. Estamos puxando esse segmento pra o holofote como fizemos com o 4K – ainda temos muito o que crescer”, diz.

De fato, a resolução 4K vem se popularizando: em 2019, 56% do total de vendas de TVs foram 4K e para a Samsung esse segmento representou 64% do total de seu faturamento.

Igor Krauniski, gerente geral de produtos televisores da LG Electronics do Brasil, explica que a Copa do Mundo e outros eventos esportivos, como as Olimpíadas, historicamente são responsáveis pelo desenvolvimento e maturação de novas tecnologias de televisores no mercado brasileiro.

“Essa relação do desenvolvimento das tecnologias não está baseada somente nos fabricantes de televisores, mas também nas empresas geradoras de conteúdo. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a substituição da tecnologia CRT pelas telas finais ou a introdução e consolidação da resolução 4K”, diz.

A LG também afirma que a venda de TVs é bastante influenciada por eventos esportivos. Mas pondera que, no período das Olímpiadas, não percebe grande mudança em relação à compra de novos aparelhos.

Embora a empresa também não abra seus dados de vendas, para este ano “o foco será a ampliação do portfólio de TVs com telas grandes, baseadas em diferentes tecnologias – UHD 4K, NanoCell e OLED”, segundo Krauniski.

Para Nascimento, da Eletro, os sinais são positivos e setor de televisores está reaquecendo, mas os patamares atuais são similares aos de 2010. “Veja, em 2019 foram produzidas 12,7 milhões de TVs, contra 12,1 milhões em 2010 – estamos comemorando, mas os números são iguais aos de 10 anos atrás. Ainda tem muito espaço para crescer”, diz.

Nesse período de quase dez anos, o pico de vendas de TVs ocorreu em 2014, quando cerca de 15 milhões de TV foram produzidas – ano de Copa do Mundo no Brasil e momento em que a economia ainda estava caminhando bem, segundo Nascimento.

No entanto, o crescimento em relação a 2013 foi de apenas 1%. Um crescimento sólido vinha desde 2011, quando houve um aumento de 15% na produção de TVs. “A influência da Copa do Mundo é algo que se observa historicamente, mas não é uma ciência exata. Em 2011, assim como 2019 os resultados foram surpreendentes”, diz.

Em 2012, ano da Olimpíada de Londres, o patamar se manteve, com 14,3 milhões de televisores produzidos no país.

O declínio do setor começou em 2015, quando o Brasil já sentia os efeitos da crise econômica. A queda na produção foi de 34% ante 2014, e de 14% em 2016 contra 2015. “Nosso setor é muito sensível ao dinamismo da economia. Com um mercado desaquecido, televisão é um dos primeiros itens que as pessoas deixam de comprar – pode ficar para depois. Por isso, em 2016 o resultado foi negativo, as pessoas tinham outras prioridades”, explica Nascimento.

Novamente, posteriormente ao ano de Copa do Mundo, em 2017, a produção recuperou parte da perda e saltou 34% e desde então vem apresentando um leve crescimento.

Veja os dados na tabela:

Ano  Produção de TVs  Variação em relação ao ano anterior 
Copa do Mundo  2010 12.197 não foi informado
2011   14.086 15%
Olimpíada  2012 14.364 2%
2013 14.816 3%
Copa do Mundo  2014 14.993 1%
2015 9.853 -34%
Olimpíada  2016 8.473 -14%
2017 11.375 34%
Copa do Mundo  2018 12.074 6%
2019 12.775 6%
Olimpíada  2020

Streaming

Nascimento acredita que a chegada do streaming e sua popularização no Brasil vai impulsionar o setor de TVs cada vez mais para o campo positivo. “Grande parte dos brasileiros já está familiarizada com os streamings e aos poucos vai querer ter opções na sua casa. E os números comprovam a tendência: hoje do total de TVs produzidas, 93% delas são SmarTVs. Em 2016, a fatia era de 52%. O segmento de streaming vai ajudar sim”, explica.

Além disso, o segmento mais popular no país é o de TV de até 45 polegadas: 64% da produção.

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