Ações de Renner e Sanepar avançam após balanços; frigoríficos caem com notícia de China suspendendo pedidos

SÃO PAULO – A sessão foi de aversão ao risco para a bolsa brasileira nesta sexta-feira (7), seguindo o exterior com os temores sobre o coronavírus e os impactos da doença para a economia mundial, que voltaram à tona após algumas sessões de alívio.

Assim, papéis de empresas de commodities como Vale registraram baixa, enquanto a Petrobras teve ganhos na ação ordinária e perdas na preferencial.

A sessão foi de queda também para JBS (JBSS3), BRF (BRFS3), Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3) em meio à notícia da Bloomberg de notícia de suspensão de novos pedidos da China. Por outro lado, Lojas Renner (LREN3) e Sanepar (SAPR11), que divulgaram resultado ontem à noite, viram suas ações subirem. Confira os destaques:

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Frigoríficos

Segundo a Bloomberg, as negociações para novos pedidos de carne brasileira por compradores chineses estão suspensas desde o fim do Ano Novo Lunar, obscurecendo as perspectivas de demanda do principal comprador de alimentos do mundo, à medida que o coronavírus se espalhou.

Importadores chineses renegociam contratos de carne bovina com exportadores sul-americanos. Mas essas negociações foram interrompidas em 25 de janeiro e não foram retomadas, segundo pessoas com conhecimento do assunto, que pediram para não serem identificadas porque as conversas são privadas. Os embarques de carne bovina brasileira comprada anteriormente não foram afetados, disseram eles.

Já a A África do Sul planeja aumentar as tarifas de importação de aves dos Estados Unidos e do Brasil como forma de apoiar produtores locais que pediram novas medidas para combater a entrada de frango barato de outros países.

O ministro do Comércio e Indústria, Ebrahim Patel, concordou com as novas tarifas no fim do ano passado, e a medida será oficializada em breve, de acordo com Izaak Breitenbach, gerente-geral da Associação de Avicultura da África do Sul. A associação solicitou o aumento de tarifas para os dois países para combater o fluxo de embarques, às vezes com preços muito baixos, para evitar impostos de importação, resultando em perdas anuais de 6,5 bilhões de rands (US$ 436 milhões) para a indústria local.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A sessão desta sexta marcou a estreia de novas ações ordinárias da Petrobras após oferta do BNDES, que totalizou R$ 22 bilhões. A B3 realizou coletiva de imprensa com presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, antes do início da negociação das novas ações da empresa, São Paulo.

No evento, Castello Branco disse que a Petrobras está preparada para lidar com um ambiente de preços baixos de petróleo, devido a um choque na demanda global causado pela eclosão do coronavírus. Apesar disso, o CEO da estatal apontou que a epidemia ainda não afetou as exportações e vendas da empresa.

Já o Valor Econômico ressalta que a Petrobras deve adiar para abril as ofertas para primeiras refinarias.

Pão de Açúcar (PCAR4

O Pão de Açúcar comunicou que o prazo para os acionistas donos de papéis preferenciais da empresa exercessem seu direito de recesso acabou no dia 4 deste mês. Segundo a empresa, apenas três acionistas o exerceram. Ao invés de terem as ações preferenciais convertidas em ordinárias, receberão R$ 41,54 para cada ação preferencial. A GPA afirma que recomprou as 6.474 ações preferenciais dos três acionistas que não aceitaram a troca. Eles serão pagos no dia 11 deste mês, com um valor aproximado de R$ 268,9 mil. O Pão de Açúcar não revelou a identidade dos acionistas.

Lojas Renner (LREN3

A varejista Lojas Renner informou na noite de ontem que obteve um lucro líquido de R$ 1,09 bilhão em 2019, um crescimento de 7,7% sobre 2018. O EBITDA da empresa avançou 15,7% para R$ 859,6 milhões no ano passado, incluindo varejo e receitas financeiras com o cartão Renner. O faturamento líquido da Renner foi de R$ 8,4 bilhões, uma expansão de 13,2% sobre 2018. A empresa informou que abriu 34 lojas no ano passado, chegando a 388 unidades apenas da marca Renner.

O Bradesco BBI e o Itaú BBA avaliam que os números foram fortes. O BBI manteve recomendação outperform para as ações LREN3, com uma alta de 18% no preço-alvo para R$ 65,00. O BBA também possui recomendação equivalente à compra para o papel da varejista, projetando uma alta de 5% dos atuais R$ 55,22 para R$ 58,00.

Os dois bancos destacaram que houve um forte crescimento de 6% nas vendas das mesmas lojas (abertas há mais de 12 meses) no quarto trimestre de 2019. “A coleção de verão foi bem aceita pelos consumidores, levando a um incremento de vendas na Black Friday e no Natal. A receita líquida no varejo então cresceu 11% sobre igual período do ano anterior para R$ 2,87 bilhões, 1% acima das nossas projeções”, destacou o BBA.

“No conjunto, nós vemos este como mais um bom resultado da Renner. A Renner é uma das empresas mais consistentes da nossa cobertura e isto deverá continuar em 2020. O preço das ações ainda está 10% abaixo do pico de meados de janeiro, então a oportunidade para comprar é boa”, avalia o Bradesco BBI.

Equatorial (EQTL3)

A Equatorial Energia divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2019 e do ano passado inteiro. Segundo a transmissora e distribuidora de energia, houve uma expansão de 7,3% no faturamento líquido trimestral, para R$ 5,4 bilhões. Já no resultado fechado de 2019, a receita líquida foi de R$ 19,6 bilhões, uma queda de 0,4% sobre 2018.

O número de consumidores da Equatorial cresceu de 7,5 milhões em 2018 para 7,6 milhões em 2019, expansão de 1,7%. A Equatorial realiza a transmissão e distribuição de energia elétrica no Estado do Pará (Norte) e em três Estados do Nordeste: Maranhão, Piauí e Alagoas. O Banco Credit Suisse comentou os resultados da Equatorial.

“Os resultados mais positivos na distribuição de energia foram para a Cemar (Maranhão) e a Cepisa (Piauí), com a energia crescendo 7,5% e 5,6%, respectivamente. Os resultados foram contrabalançados pelos números mais fracos, mas positivos, do Pará. Houve expansão na base de clientes. No geral, a orientação (“guidance”) deve trazer resultados mais fortes para a Equatorial (em 2020). Os números reforçam a nossa visão de que a economia está se recuperando”, avaliaram analistas do banco suíço.

Sanepar (SAPR11)

A Companhia de Saneamento do Paraná – Sanepar, divulgou na noite de ontem seu balanço e informou que seu lucro líquido cresceu 21% para R$ 1,08 bilhão em 2019. A empresa estatal informou uma receita líquida de R$ 4,7 bilhões no ano passado, um crescimento de 13,5% sobre 2018.

Já o EBITDA da Sanepar foi de R$ 1,97 bilhão, montante 20,1% maior que no ano anterior. A Sanepar também informou que reduziu seu endividamento. A dívida bruta da estatal é de R$ 5,8 bilhões. O endividamento líquido era de R$ 2,8 bilhões no final de 2019. A relação dívida líquida sobre o EBITDA, que mede a alavancagem da companhia, foi reduzida para 1,4x no final de 2019. Em 2018, era de 1,5x, enquanto em 2015 estava em 2,4x.

O balanço de 2019 da Sanepar foi bem avaliado pelo mercado. O Itaú BBA avaliou que o Ebitda informado no quarto trimestre, de R$ 631 milhões, em expansão de 33% sobre igual período de 2018, superou tanto as suas projeções de R$ 598 milhões como as do mercado, que eram de R$ 510 milhões. O BBA notou que a empresa reduziu o endividamento, já relativamente baixo, do terceiro para o quarto trimestre de 2019.

A nota para a Sanepar permanece positiva, com recomendação de compra para as units SAPR11. O papel SAPR11, cotado atualmente a R$ 102,64, tem preço-alvo de R$ 111 até o final do ano. Para o Brasil Plural, “a Sanepar permanece a líder absoluta em termos de lucratividade na indústria de água e saneamento” no País. “Mais uma vez, a empresa entregou um resultado melhor que o esperado”, comenta o Plural, que projeta preço-alvo de R$ 116,00 para o pacote SAPR11 em 2020, com rating “acima da média”.

Azul (AZUL4)

A demanda de passageiros consolidada da Azul (RPKs) subiu 29,1% em janeiro na comparação com o mesmo mês de 2019, para 3,323 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, a oferta de assentos (ASKs) subiu 26,5%, para 3,899 milhões. Com a combinação dos números, a taxa de ocupação dos voos da empresa foi a 85,2%, alta de 1,7 ponto porcentual em um ano.

No mercado doméstico, a demanda subiu 28,3%, para 2,465 milhões de passageiros, enquanto que a oferta de lugares nos voos subiu 25,2%, para 2,922 milhões. A taxa de ocupação nos voos nacionais da empresa teve ganho de 2 pontos porcentuais em um ano, para 84,4%.

Nos voos internacionais, a alta da demanda foi de 31,5%, para 858 mil passageiros, e a oferta de assentos cresceu 30,5%, para 977 mil. Combinados, os dois indicadores levaram a um aumento de 0,7 ponto porcentual na taxa de ocupação, para 87,8%.

“Graças à conectividade e alcance exclusivo da nossa malha, conseguimos estimular a demanda e fortalecer nossas rotas sempre que substituímos uma aeronave de antiga geração por uma aeronave maior e mais eficiente em termos de combustível”, afirma, no comunicado da Azul, John Rodgerson, CEO da empresa. Segundo ele, os resultados do plano de renovação de frota da aérea têm sido satisfatórios até o momento.

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